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O tratamento atualizado da UCE

O tratamento atualizado da UCE (urticária crônica espontânea) foi definido em reunião realizada na cidade de Berlim em dezembro de 2016, e publicado oficialmente no início de 2018.  Na ocasião, mais de 200 especialistas de todo o mundo discutiram os aspectos mais relevantes que deveriam ser considerados em termos de objetivos do tratamento e como alcança-lo.  Este documento, o Consenso Internacional para o Diagnóstico e Tratamento da Urticária, teve expressiva participação de brasileiros, e é endossado pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) e Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Algumas considerações são importantes e devemos discutir antes de abordar o tratamento atualizado da UCE:

  1. A UCE é uma doença crônica com grande impacto na qualidade de vida;
  2. A UCE não é causada por fatores emocionais ou psicológicos;
  3. A UCE não é causada por fatores externos como alimentos, roupas, produtos de limpeza, etc;
  4. O mecanismo da UCE envolve a produção de autoanticorpos, que levam a liberação de histamina na pele, substância esta que provoca o aparecimento dos sintomas;
  5. O tratamento deve ter por objetivo o controle completo dos sintomas (visando a melhor qualidade de vida possível);
  6. Ferramentas para avaliação de controle e atividade da urticária (UCT e UAS7) devem ser utilizadas juntamente com os critérios clínicos, para se acompanhar a evolução do tratamento;

Assim, recomenda-se que o tratamento atualizado da urticária seja feito em 4 linhas (etapas) de tratamento:

  • 1ª e 2ª LINHAS: antihistamínicos de 2ª geração, com doses que variam de acordo com a intensidade do quadro e experiência do médico assistente – eles bloqueiam a ação da histamina e, consequentemente, melhoram os sintomas;
  • 3ª LINHA: omalizumabe, um anticorpo monoclonal anti-IgE, que ao bloquear os auto-anticorpos impede a liberação de histamina;
  • 4ª LINHA: ciclosporina, um imunossupressor que diminui a resposta imunológica e a hiperreatividade cutânea que existe na urticária;

É importante saber que cerca de 40% dos pacientes com UCE não respondem ao tratamento com anti-histamínicos isolados e, portanto, devem ser tratados com os medicamentos de 3ª e 4ª linhas, nesta ordem.  Estas etapas do tratamento devem ser acompanhadas de perto pelo especialista em alergia ou dermatologia.  Em nenhuma destas etapas vemos o uso de corticosteroides, sejam ele por via oral ou injetável.  Assim, não se utiliza corticosteroides para o tratamento atualizado da UCE.

Notem que o tempo para obtenção de resposta varia entre cada tipo de tratamento.  Com o uso dos anti-histamínicos, 15 dias é um tempo suficiente para se verificar resposta.  O tempo para resposta com o omalizumabe pode variar entre alguns dias até 6 meses.  E para a ciclosporina, não devemos considerar que houve falha de tratamento antes de 3 meses de observação.

Realizando o tratamento da forma adequada, mais de 92% dos pacientes irão controlar os sintomas.  Com isso, estes pacientes poderão ter uma excelente qualidade de vida.  A UCE não dura a vida toda, e um dia irá parar de se manifestar.  Por isso é fundamental que seja feito um acompanhamento regular com o especialista, que poderá avaliar o melhor momento para reduzir as doses ou até interromper o tratamento.