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Asma: tratamento atual

A asma é uma doença que acomete mais de 6 milhões de brasileiros, e é caracterizada por falta de ar, cansaço, tosse e chiado no peito.  Em grande parte das vezes a asma tem uma causa alérgica (ácaros, fungos, pólens, barata, animais), mas em alguns pacientes o mecanismo pode ser diferente, especialmente naqueles que começam a manifestar os sintomas mais tardiamente.

O tratamento farmacológico da asma tem como foco o processo inflamatório que existe no pulmão do asmático, e no alívio dos sintomas.  Para isso, a dupla corticosteroides inalatórios e broncodilatadores é suficiente e dá conta do recado em boa parte dos pacientes.  Hoje temos disponíveis diversas opções destas medicações, com uma boa variedade de dispositivos (“bombinhas”) com características que se adaptam aos diferentes perfis de pacientes.

No entanto, existem indivíduos com formas mais graves de asma que são resistentes a este tipo de tratamento.  Nestes casos, observa-se muitas vezes uma inflamação que depende de células chamadas eosinófilos, mesmo quando não é possível demonstrar um mecanismo alérgico, (asma eosinofílica não alérgica).

Para auxiliar no tratamento destes indivíduos, foram desenvolvidos recentemente dois novos medicamentos biológicos: o mepolizumab e o reslizumab.  Os biológicos, ao contrário dos medicamentos tradicionais (produtos químicos sintéticos), são compostos por açucares, proteínas, ácidos nucleicos, ou mesmo células e organismos vivos, isolados de fontes naturais.  Eles incluem os anticorpos, vacinas, proteínas recombinantes, entre outros.

No caso do mepolizumab e do reslizumab, trata-se de anticorpos que impedem a ligação da IL-5 em seus receptores nos eosinófilos, cada um deles de uma forma diferente.  A IL-5 é uma substância responsável pelo crescimento, recrutamento, ativação e sobrevivência dos eosinófilos.  Ao impedir a ligação da IL-5, ocorre uma diminuição da atividade do eosinófilo e, consequentemente, uma melhora no processo inflamatório.

Embora as indicações dos biológicos sejam muito precisas, eles estão cada vez mais presentes em nosso dia-a-dia, no tratamento e diagnóstico das mais diferentes doenças, em praticamente todas as especialidades.  Para a asma, além dos dois citados, temos disponível há algum tempo o omalizumabe, e esperamos novas opções num futuro próximo.